Incentivo à políticas públicas

Um guia para promoção da atividade física no país

Material lançado pelo Ministério da Saúde teve coordenação da UFPel; incentivo é por hábitos mais saudáveis e melhora na qualidade de vida

Um Guia de Atividade Física lançado ontem pelo Ministério da Saúde, deve servir de incentivo à população brasileira. A intenção é de que o material, de 52 páginas, possa servir de ferramenta a profissionais que têm um contato mais direto com a comunidade, como nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), para estimular políticas públicas de promoção de atividades físicas e combater o sedentarismo. O documento, que traz recomendações para diferentes públicos - de bebês a idosos - contou com a coordenação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O texto, didático e ilustrado, traz informações básicas que diferenciam os exercícios físicos das atividades físicas. De um jeito ou de outro, colocar o corpo em movimento - com gasto
de energia acima do nível de repouso - é fundamental: pode promover interações sociais e traz vários benefícios diretos à saúde.

O Guia também destaca que a prática da atividade física pode ocorrer nos diferentes ambientes e momentos do dia a dia: no tempo livre, no deslocamento, no trabalho ou estudo e nas tarefas domésticas. "A ideia é que as pessoas identifiquem que elas podem incorporar as atividades à sua rotina", destaca o epidemiologista e coordenador do estudo, Pedro Hallal. "Queremos aumentar o nível de atividade física no país, popularizar a importância e reduzir as desigualdades na prática da atividade física", reforça.

Dezenas de pesquisadores envolvidos

Para transformar o guia em realidade, um comitê científico composto por mais de 70 pesquisadores participaram dos estudos liderados pela UFPel. O trabalho, dividido em oito grupos, reservou espaço específico à Educação Física Escolar, com orientações a professores e a recomendação de que as instituições de ensino ofereçam pelo menos, três aulas de 50 minutos, cada, por semana.

Ao longo dos oito capítulos, o material ainda apresenta atenção especial a pessoas que têm asma ou diabetes. Também aparecem dicas a pais e educadores sobre limites que devem ser impostos para evitar o excesso do tempo de tela - em celulares, tablets, computadores videogames e televisões. Horas que se tornam em convite ao sedentarismo.

Saiba mais 

- A atividade física faz parte do dia a dia e traz diversos benefícios, como o controle do peso e a
melhora da qualidade de vida, do humor, da disposição, da interação com as outras pessoas e
com o ambiente.

- Quanto mais cedo a atividade física é incentivada e se torna um hábito, maiores os benefícios para saúde, como a diminuição da chance de desenvolvimento de alguns tipos de cânceres, de doenças crônicas, como o diabetes, a pressão e os problemas cardíacos.

- Dados de 2019 mostram que, no Brasil, 44,8% da população não realiza o mínimo de atividade física recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

- A estimativa é de que a inatividade física seja responsável por 15% das internações no Sistema Único de Saúde (SUS).

- Todo exercício físico é uma atividade física, mas nem toda atividade física é um exercício
físico. Ou seja, o exercício físico é um tipo de atividade planejada, estruturada e repetitiva que
tem o objetivo de melhorar ou manter as capacidades físicas e o peso adequado.

Distribuição

74 mil exemplares serão distribuídos para secretarias estaduais e municipais de Saúde. O Guia também será disponibilizado em formato digital em Inglês e Espanhol, em Braile e em versão de áudio.

Excluídos

O Ministério da Saúde realizou o lançamento, na manhã de ontem, sem que nenhum dos mais de 70 pesquisadores envolvidos na elaboração do Guia tenha sido convidado. O fato chama a atenção, já que o coordenador do estudo, o ex-reitor da UFPel e epidemiologista Pedro Hallal, na última quinta-feira depôs na CPI da Pandemia, no Senado Federal.

"É uma retaliação até infantil do Ministério da Saúde, mais um erro de estratégia deixar o Comitê Científico alijado do processo", lamentou o pesquisador.

Confira algumas dicas para os diferentes públicos:

* Crianças de até 1 ano
- Tempo: Pelo menos 30 minutos por dia
- Exemplos de atividades: Brincadeiras e jogos que deixem a criança de bruços ou sentada, movimentando braços e pernas e que a estimulem a alcançar, segurar, puxar, empurrar, engatinhar, rastejar, rolar, equilibrar-se com ou sem apoio, sentar e levantar.

* Crianças de 1 a 2 anos
- Tempo: Pelo menos 3 horas por dia
- Exemplos de atividades: Brincadeiras e jogos que estimulem equilibrar-se nos dois pés, equilibrar-se em um pé só, correr, saltitar, escalar, pular, arremessar, lançar e quicar.

* Crianças de 3 a 5 anos
- Tempo: Pelo menos 3 horas por dia
- Exemplos de atividades: Brincadeiras e jogos que envolvam atividades como caminhar, correr, girar, chutar, arremessar, saltar e atravessar ou escalar objetos.

Fique atento!
- A substituição do comportamento sedentário por atividades físicas deve ser estimulada. Quando o comportamento sedentário for inevitável, incentive as crianças a fazerem atividades culturais e educativas, como pintura, desenho, jogos de encaixe, quebra-cabeças e contação de histórias com movimento.

- A diminuição do tempo gasto com a utilização de celular, computador, tablet, videogame e televisão auxilia no controle do peso adequado, melhora o desenvolvimento motor e cognitivo e ajuda no desenvolvimento de habilidades sociais.

* Crianças e jovens de 6 a 17 anos
- Tempo: 60 minutos ou mais por dia
- Exemplos de atividades: empinar pipa, dançar, nadar, pedalar, jogar futebol, vôlei, basquete, bocha, tênis, peteca ou frescobol, fazer ginástica ou artes marciais, ou participar de brincadeiras e jogos, como esconde-esconde, pega-pega, pular corda e, saltar elástico.
Nas tarefas domésticas, participe de tarefas para conservação do quintal ou da área externa do seu condomínio, como fazer jardinagem, cortar a grama, limpar a bicicleta, passear com o animal de estimação ou recolher o lixo.

* Adultos
- Tempo: Pelo menos 150 minutos de atividade física por semana
- Exemplos de atividades: No tempo livre, você pode caminhar, correr, dançar, nadar, pedalar, jogar futebol, vôlei, basquete, bocha, tênis, peteca ou frescobol, fazer ginástica, musculação, hidroginástica, yoga ou artes marciais.
Se possível, faça seus deslocamentos a pé ou de bicicleta, de skate, de patins ou de patinete (sem motor).

* Idosos
- Tempo: Se preferir atividades físicas moderadas, você deve praticar, pelo menos, 150 minutos por semana. Se optar por atividades vigorosas, você deve praticar, pelo menos, 75 minutos por semana.
- Exemplos de atividades: No tempo livre, algumas opções são musculação, hidroginástica, treinamento funcional, pilates, yoga, alongamento ou dança, bocha ou sinuca, voleibol, peteca e tênis de mesa.

* Gestantes e mulheres no pós-parto
- Tempo: Se você não apresenta contraindicações e preferir atividades físicas moderadas, deve praticar, no mínimo, 150 minutos por semana. Se você já era ativa antes da gestação e preferir as atividades vigorosas, deve praticar, no mínimo, 75 minutos por semana.
- Exemplos de atividades: Caminhar, correr, dançar, nadar, pedalar, fazer ginástica, musculação, hidroginástica ou alongamentos.
Detalhe: A prática de atividade física durante a gestação e no período pós-parto é segura, traz diversos benefícios para a sua saúde e a saúde do bebê, além de reduzir os riscos de algumas complicações, como pressão alta e diabetes gestacional.

* Pessoas com deficiência
Apesar de algumas dificuldades vivenciadas, é preciso encontrar formas de praticar atividade física, seja em atividades individualizadas, que consideram as especificidades de cada pessoa, ou em atividades em grupo, que proporcionam a socialização e interação.

Se você ainda não alcança as recomendações de quantidade de tempo - conforme as faixas etárias, como demonstrado acima - para a prática de atividade física, não desista e aumente aos poucos a quantidade e a intensidade. Tenha em mente que fazer qualquer atividade física, no tempo e no lugar em que for possível, é melhor do que se manter parado.

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